Natan Cavalcante e Samara Monteiro, 18 e 19 anos, estudantes de Jornalismo e Direito, respectivamente. Concordamos, discordamos, questionamos e expomos nosso ponto de vista como juventude pensante e participativa na sociedade. Aqui é sempre fim de tarde, num parque onde todos os bancos são nossos.
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Não é solidão, não é amor, não é saudade, é um sentimento sem nome e sem definição que mata-me por dentro como o veneno de um ódio insano. Tantos dogmas e tantas dores ressecam um coração como se ele não batesse mais, como se o corpo não fosse mais quente. A alma reflete nos olhos o pesar dos dias e as cicatrizes que tantas mentiras me causaram... Não adianta me dizer que está tudo bem, não está. E é bem provável nunca mais estará. Sábio foi o homem que disse ser a ignorância uma bênção, pois uma vez que os olhos são abertos, torna-se impossível fechá-los novamente e descansar em paz. Meu amor, minha boca será seca enquanto te digo estas palavras, mas acredite, meu coração está ainda mais...
sábado, 29 de janeiro de 2011
Para dar adeus
Não sei ao certo como conhecemo-nos ou quando nos tornamos amigos, a data exata é provavelmente impossível de ser lembrada, mas fato é que, de conhecidos de uma infância já esquecida, por parecer que naquela época era algo distante, passamos por um estágio de (re)conhecimento, e então, criamos um laço de amizade que eu, em minha ingenua concepção, achei que era uma verdadeira amizade. A ligação crescia e se consolidava a cada dia passado numa convivência até desgastante, mas que se tornava divertida, diante de uma amizade como aquela. Depois dos inúmeros dias, meses e anos passados, as coisas mudaram como era de se esperar, e aquela amizade com quem compartilhei tantos momentos engraçados ou mesmo casuais, e que sonhei que seria uma amizade levada até o leito de morte, devido a felicidade que me trazia, tornou-se seca, sem nenhuma graça, e já não mais me diverte, já não mais me alegra e anima, já não mais me acalma, já não mais me defende, como um dia a vi fazer, por não sei que motivo, por não sei que razão. Hoje, depois de tanto tentar recuperar a um dia amada amizade que cultivei, pois sempre lembrava do trecho do livro "O Pequeno Príncipe" que diz: "Tu és eternamente responsável por aquilo que cativas", despeço-me daquela amizade pueril de quem um dia fui cativo e que também cativei. E esta é a última homenagem que presto à ti, que um dia amei e idolatrei como a amizade mais querida e que hoje, para minha tristeza, não passa de um coleguismo formal. Adeus.
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Liberdade, ainda que tardia - Será?
Polícia nas ruas, armas em punho. Muito se falou nos últimos meses sobre a "tomada" de alguns morros cariocas pelas forças policiais. Inúmeras reportagens - muitas delas enfadonhas, confesso - retratando cada passo dado pelos "homens de preto" em direção à tão esperada paz que muitos esperam ser o resultado de tão grande operação. Na televisão mostra-se a população agradecendo-lhes, os militares beijando crianças - com quem será que aprenderam? - e todos comentando sobre os vestígios do poder estatal que via-se ali.
Mas nem tudo são flores, principalmente em um país como o nosso. "Esqueceram" de mostrar que aquele povo continua vivendo na favela, pobre, desustruturado e sem a devida assistência do Estado. Que a polícia brasileira talvez não mereça toda a confiança que lhe está sendo depositada. Que muitos daqueles moradores já sofreram abusos destas autoridades. Tantou se falou que a população não está mais sob o domínio do tráfico, então está sob o domínio de quem? As armas são as mesmas, as táticas violentas muitas vezes também! Em quem estamos confiando? A quem recorreremos quando os que devem proteger-nos fizerem exatamente o que deveriam evitar? Sou a favor da prisão dos traficantes, mas também de alguns policiais, tão criminosos quanto eles. A polícia é o instrumento de força do Direito, se esta não funciona, de que nos servem as leis? Como pode haver lei quando nem mesmo seus homens respeitam-na? Não há arcanjos neste céu, e confesso que me falta um pouco de fé em suas promessas.
Mas nem tudo são flores, principalmente em um país como o nosso. "Esqueceram" de mostrar que aquele povo continua vivendo na favela, pobre, desustruturado e sem a devida assistência do Estado. Que a polícia brasileira talvez não mereça toda a confiança que lhe está sendo depositada. Que muitos daqueles moradores já sofreram abusos destas autoridades. Tantou se falou que a população não está mais sob o domínio do tráfico, então está sob o domínio de quem? As armas são as mesmas, as táticas violentas muitas vezes também! Em quem estamos confiando? A quem recorreremos quando os que devem proteger-nos fizerem exatamente o que deveriam evitar? Sou a favor da prisão dos traficantes, mas também de alguns policiais, tão criminosos quanto eles. A polícia é o instrumento de força do Direito, se esta não funciona, de que nos servem as leis? Como pode haver lei quando nem mesmo seus homens respeitam-na? Não há arcanjos neste céu, e confesso que me falta um pouco de fé em suas promessas.
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